Design

10 anos: por Gian Franco

7 meses atrás

Receber esse convite de meus amigos Allyson e Monike para participar das comemorações
dos 10 anos da Abracadabra foi, e sempre será, para mim, motivo de honra e orgulho. Isso
porque sou um grande fã da grandiosidade dessa dupla e também do poder transformador
de suas criações.

Mas alegria de gente empolgada sempre dura pouco…rsrs. Logo em seguida veio um desafio gigante em forma de e-mail: “estamos convidando 10 profissionais-parceiros-amigos para escrever um pouquinho sobre design, negócios, Abracadabra… Na verdade, vale tudo!!”, dizia a curta mensagem. Que puta responsabilidade!

Depois de muito pensar em como fazer valer esse desafio, decidi reproduzir por aqui um
pouco do que venho escrevendo. Um ensaio sobre os desafios inerentes à complexidade do
momento atual. Um ensaio sobre porque, na minha opinião, a mentalidade vigente se
tornou ineficiente e inadequada para o mundo que ainda vamos construir. Um ensaio sobre
TRANSFORMAÇÃO. Espero que gostem!

“Inteligência artificial, drones, edição genética, machine learning, deep learning, robotização. O que até bem pouco tempo atrás parecia apenas um roteiro de ficção científica, já não é mais. Máquinas que pensam, aprendem, se transformam com o que aprendem e ainda interagem entre si. Turbinas de avião que conseguem se consertar sozinhas e ainda compartilhar o que aprenderam durante esse processo com as outras turbinas, a fim de que estas evitem passar pelo mesmo problema.

Robôs que possuem a mesma capacidade de processamento de um cérebro humano e que, em muito pouco tempo, irão equivaler a todos os cérebros humanos. Veículos completamente autônomos transportando pessoas e encomendas espalhados por
todas as partes. Jovens fazendo manipulações genéticas em suas próprias casas a fim de
prototipar organismos vivos. Robôs que, conversando entre si, acabaram por criar sozinhos
um idioma mais eficiente e começaram a interagir entre si nesse novo idioma, mas foram
completamente destruídos assim que flagrados por seus assustados criadores humanos.

Os fatos descritos anteriormente são apenas alguns poucos exemplos do que tem acontecido numa velocidade impressionantemente exponencial. A cada dia surgem novas tecnologias e muitas vezes mais eficientes do que as versões anteriormente mais eficientes e, de certa forma, essa evolução exponencial tem conquistado um espaço predominante em nossa atenção.

Caminhamos hoje claramente por mais uma das transições sociais que transformam a sociedade ao longo dos tempos. Para compreender melhor este processo, é preciso não só entender as mudanças da sociedade, mas o nosso próprio modo de agir, pensar e nos relacionarmos com o mundo que nos cerca e nos forma.

Durante milhares de anos, na China do século XX, na Índia medieval ou no Antigo
Egito, segundo nos relata Yuval Noah Harari em seu livro Homo Deus, os mesmos três
problemas preocupavam as pessoas: fome, pestes e guerras. Porém, nas últimas poucas
décadas demos um jeito de controlar isso tudo. É evidente que esses problemas ainda não
foram completamente resolvidos, mas pelo menos já sabemos o que é preciso para evitá-los – e geralmente somos bem-sucedidos ao fazê-lo. Não é incrível pensar, que pela primeira vez na história, morrem mais pessoas que comeram demais do que de menos; mais pessoas morrem de velhice do que de doenças infecciosas; mais pessoas cometem suicídio do que todas as que somadas são mortas por soldados, terroristas e criminosos?

E se os problemas que nos preocuparam durante tantos séculos já estão sob nosso controle? Se a tecnologia e as máquinas estão, de fato, nos libertando do trabalho mecanizado, padronizado, repetitivo e previsível? Se está nos afastando, assim, tanto dos padrões pré-estabelecidos como dos comportamentos adestrados, da homogeneidade de ideias e visões de mundo, porque então não deixamos naturalmente que tudo isso que mecaniza e robotiza o ser humano seja, finalmente, feito por máquinas, sensores ou robôs? Afinal, eles certamente farão esse trabalho muito melhor do que nós.

A razão é simples: medo e vontade de lutar. O ser humano foi aperfeiçoado durante séculos e séculos para estar sempre pronto para decidir entre fugir ou lutar. É o medo que nos alerta para situações que colocam em risco a nossa vida. Em frações de segundo, nosso corpo reage a estímulos e reforça as funções do cérebro, músculos e pulmão. O ser humano aprendeu ao longo de sua história que, na luta pela sobrevivência, é sempre mais vantajoso errar “para mais”. Assim, diante das menores ameaças, o corpo soa o alarme. Além disso, raramente nos satisfazemos com o que já temos.

Por mais incrível que possa parecer, a reação mais comum da mente humana a uma conquista não é a satisfação, e sim o anseio por mais. Os seres humanos estão sempre em busca de algo melhor, maior e mais agradável. E esse é um movimento inevitável mantido por dois pilares bastante sólidos, um psicológico e outro biológico. No nível psicológico, essa busca constante por algo a mais depende mais de nossas expectativas do que necessariamente de alguma condição objetiva. A medida que nossa condição melhora, nossas expectativas inflam em um ciclo praticamente sem fim.

Já no nível biológico, tudo isso é muito mais determinado por uma condição bioquímica do que pela situação econômica, social ou política. Não obstante, é interessante notar que mesmo quando uma tentativa é frustrada, ela também nos aproxima um passo na direção do alvo, e isso renova a nossa esperança e nos encoraja. Embora provavelmente ainda viveremos muitas outras frustrações nesse processo, acredito que estamos diante de uma oportunidade inédita para uma nova agenda a respeito do papel e da forma de nossas organizações. Uma oportunidade de experimentarmos um novo olhar a respeito de nós mesmos. De rever nosso entendimento do nosso papel na sociedade enquanto homem-trabalhador. Uma oportunidade de derrubar, de uma vez por todas, alguns de nossos mais profundos paradigmas corporativos e, ao mesmo tempo, nos propor a adoção de uma nova, mais eficiente e adequada mentalidade para enfrentarmos o mundo que está se formando bem diante dos nossos olhos. Uma verdadeira oportunidade de TRANSFORMAÇÃO.”

Gian Franco Rocchiccioli é empreendedor, publicitário, sócio e fundador de um dos principais escritório de Design do Brasil (PANDE) é hoje Membro do Conselho da ABEDESIGN – Associação Brasileira de Empresas de Design, Membro do Conselho de Empresas, Mentor de Startup’s e autor de livro sobre a gestão de valor do intangível “O Segredo de Ebbinghaus”.

**O texto de Gian Franco, publicado na íntegra, foi produzido para o livro de 10 anos da Abracadabra Branding e Design.

by

Publicado em:

10 de dezembro de 2018

Cadastre-se e receba semanalmente a nossa newsletter. A curadoria traz conteúdo de branding, design, marketing, comunicação e outros assuntos.

Post
Post
Entre em contato