Comunicação

Conexão FOR-LIS com Bárbara, da Speak Brazil

1 mês atrás

Português brasileiro, em Portugal, para estrangeiros. Ficou confuso? Pois a Bárbara Sousa, da Speak Brazil (@speakbrazil.pt), torna tudo mais simples, fácil, divertido e único. A mineira de Belo Horizonte é graduada em língua portuguesa e mestre em estudos linguísticos. Um intercâmbio em Coimbra a fez se apaixonar pelo país, ao qual retornou anos depois – para casar, seguir o sonho de continuar a ensinar e compartilhar conhecimento de uma forma bem brasileira.

“Resolvi trabalhar dando aula de português para estrangeiros. São alunos que vivem na Europa, que não falam português mas que querem aprender, seja por motivo profissional, por causa de um amor ou porque gosta da música, para cantar, entender as letras”, explica a professora. ela afirma que sua localização privilegiada e que seu fuso horário permitem o contato com estudantes de todos os cantos do mundo – dos Estados Unidos à Austrália.

A Speak Brasil nasceu quando Bárbara se mudou para Portugal e percebeu que não havia oportunidades para atuar como professora. A ideia de empreender foi amadurecendo e as questões burocráticas da abertura da empresa não foi um empecilho. “O complicado foi encontrar um espaço para receber os alunos e criar toda a escola, passar a imagem que eu gostaria do meu trabalho. Sempre quis um espaço que permitisse cozinhar, jogar peteca (risos). Fizemos site, fotos…”, narra. O trabalho foi demorado e exigiu muita paciência. Porém, com a pandemia, tudo precisou mudar.

Vamos falar português?

Com foco na comunicação, a metodologia utilizada por Bárbara contempla até quem não fala uma palavra da língua. O “segredo” está nas aulas exclusivamente em português, com auxílio de tradutor digital e muita repetição. “Em dois meses o aluno já começa a pegar o ritmo, falando no presente e um pouquinho no passado. O meu método é um pouco mais cansativo, mas eles dizem que aprendem muito mais rápido a falar com fluência”, conta.

Para as aulas ficarem ainda mais interessantes, ela aposta na personalização. Ao longo do convívio, ela descobre o que seus alunos gostam, o objetivo do aprendizado e avalia o que é interessante eles conhecerem. “Tento ter esse olhar bem personalizado. E quando tem encontros presenciais, a gente sai da sala de aula e faz uma atividade cultural. Eles aprendem mais e vão a lugares onde ‘respiram’ o Brasil em Lisboa: lanchonete, samba, açaí, museus…”, ela explica. E completa: “É trazer o português real. Caso o estudante visite o Brasil, ele vai se identificar e ter uma noção boa. Não é só um ensino com base na gramática, é uma gramática com inserção prática e na cultura.”

Novos desafios

A pandemia do novo coronavírus foi positiva para a empresa da professora, que não precisou fazer grandes adaptações. Com o lockdown, muitas pessoas ficaram dispostas a aprender virtualmente, aumentando também a procura pelo seu serviço. Como consequência, Bárbara aumentou o uso de recursos, ferramentas e jogos, deixando seu material ainda mais atraente. “Acredito que as aulas online vão só progredir e continuar. Com a pandemia, os estudantes viram que é muito prático e produtivo. É diferente da aula presencial, mas para o meu público que precisa dar continuidade ao ensino, não tem porquê não fazer online.”

Para os próximos meses, a expectativa é que o modelo online se expanda e que ela consiga também dar aulas para pequenos grupos, trabalhando, assim, a pronúncia. Outra ideia são as aulas de português brasileiro e português de portugal, com ela e uma professora de portugal, abordando questões culturais.

Cultura brasileira

“Diferente de nós brasileiros, que não temos muito contato com a cultura portuguesa, eles têm muito acesso e boa aceitação à nossa”, declara. No dia a dia, ela diz que é comum entrar em uma loja portuguesa e estar tocando samba ou fazer uma refeição em um restaurante ao som de bossa nova. Shows, peças de teatros e festivais musicais com artistas brasileiros sempre contam com grandes plateias portuguesas. “Já o brasileiro não tem curiosidade sobre Portugal. Eles vêm achando que é a mesma língua, que vão chegar e se comunicar muito bem!”, ela ri. E confessa: quando foi assistir sua primeira aula na universidade, não entendeu nada do que o professor falou. Mas alivia: “Essa dificuldade de comunicação e compreensão é questão de tempo”. Ufa!

Pt-pt e pt-br

A língua portuguesa possui uma enorme variação linguística e geográfica, com milhões de sotaques espalhados, tanto em Portugal quanto no Brasil. “Então vamos ter uma grande diferença na ‘musiquinha’ do português brasileiro com o português europeu, como nos sons das vogais, por exemplo”, explica a professora. Outras diferenças existem também nos sons de algumas palavras (“ritmo”, em Portugal, é pronunciado sem o “t”) e os vocabulários: elétrico é bondinho; autocarro é ônibus, métro é metrô… Mas se você achou complicado, não se preocupe! “Temos essas alterações em ambas as línguas, o que deixa o processo de comunicação mais difícil, mas nada que não dê para contornar”, explica.

by Larissa Viegas

Publicado em:

11 de dezembro de 2020

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