criatividade

Conexão FOR-LIS com Marina, do Valsa

1 mês atrás

A Marina Ginde e a Mariana Serafim (Nika) são amigas há 20 anos e fizeram de um pequeno projeto adolescente no Brasil um negócio com muito potencial em Lisboa. O Valsa (@valsavalsavalsa) é um espaço de convívio multicultural, localizado na Rua da Penha de França e com foco em uma Lisboa cosmopolita. A live foi realizada com a Marina, uma paulista nascida em Santos, graduada em arquitetura e urbanismo que escolheu há 4 anos a capital de Portugal para fazer seu mestrado, unindo os estudos ao desejo de morar fora do Brasil. “Tem a facilidade da língua, a presença de brasileiros e você se sente bem acolhido. É uma cidade muito bonita, segura, calorosa e quente, comparada a outros países da Europa”, lista a Marina.

Em pé de Valsa

O conceito do Valsa existe desde 2009 e nasceu como um coletivo de arte ainda em São Paulo, organizando, dentre outros eventos, festas e feiras. Após se frustrar com o mercado de Lisboa na sua área profissional, a ideia de ter um local para servir comidas e bebidas passou, distantemente, pela sua cabeça. Porém, bastou um encontro com a Nika (que vivia um ano sabático e iria viajar pela Europa) para a conversa fluir e os planos das duas voltarem para o Valsa. “Nossa conexão foi a partir da música e também queríamos trazer essa paixão. Não tínhamos um conceito, não fizemos um plano de negócio!”, conta.

Após uma conversa com as famílias em fevereiro de 2018, as ideias saíram do papel e o espaço nasceu em maio do mesmo ano. “O Valsa é uma coisa que vai mudando, e em 2020 teve que se reinventar. É uma associação, um espaço de convívio multicultural e multiuso. A gente faz eventos, realiza cursos e temos um café, além de uma programação cultural mensal, com música ao vivo, poesia, lançamentos de livros, feiras…” O público é formado, basicamente, por metade brasileiro e metade português, o que torna o local, como ela conta, “uma casa portuguesa com coração brasileiro”. Por ser um bairro residencial, habitado por casais imigrantes com filhos, jovens e velhinhas portuguesas, o cenário torna-se heterogêneo.

De repente, uma empresa

Marina acredita que o fato do Valsa ser uma associação cultural, e não uma empresa, foi um facilitador para a formalização do negócio: “em um dia ela tava criada. Foi um processo muito tranquilo, não tive muitos obstáculos como eu imagino que deva ser no Brasil.” O fator “curiosidade” também é um ponto forte para o Valsa. “As pessoas ficam muito curiosas. Elas entravam na obra e perguntavam o que ia ser! Como existe essa vivência de bairro, que são pequenas cidades, as pessoas sempre sabem o que está acontecendo”, diz.

Erros e acertos também fizeram parte do processo de criação da empresa. “Começamos a vender café coado, que os portugueses não têm o hábito de tomar. Eles estão acostumados com o expresso, curto. Então tivemos que ir testando e entendendo o gosto do cliente”, explica. Mas emenda: “porém, isso faz parte da diferença cultural! Fomos bem recebidos. Conheço muitos empreendedores brasileiros que sentem a mesma coisa.”

Acabou em pizza!

A reformulação do conceito em 2020 incluiu a produção de pizzas. Cabeças a mil, novas contratações e um grande fluxo de clientes nos dois primeiros meses e… O choque da quarentena! “Mas a gente superou fazendo o que a gente faz de melhor, que é se reinventar e entregar o que a gente tem de bom, se readaptando”. Mas, além do planejamento, tem também a importante relação interpessoal: “A gente também percebeu que a nossa rede de apoio e o nosso público são maravilhosos. Vendemos vouchers para as pessoas comprarem, ajudarem e usarem quando reabrisse, além do cartão de benefícios, que dá acesso a todos os eventos gratuitamente, mimos e descontos. Eu nao sei como seria 2020 sem eles.”

A reabertura gradual estimulou ainda mais o comércio da novidade da casa: as pizzas, que agora são oferecidas por delivery. Recentemente passaram a abrir para eventos, com limite de público, distanciamento e toda segurança. “Não é como era antigamente, mas eu sinto que a gente vai conseguir e que vai dar tudo certo” declara, otimista. Para o próximo ano, ela imagina que a maneira da Valsa trabalhar será outra. “A gente vai partir mais pro coletivo, vai abraçar mais as pessoas e as coisas que a gente acredita. Acho que não tem como trabalhar de outra maneira.”

Foto: Aline Macedo

by Larissa Viegas

Publicado em:

11 de dezembro de 2020

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