Allyson Reis

2 meses atrás

Allyson Reis, fundador e diretor da Abracadabra, fala sobre os 10 anos de “estrada” da empresa, que movimenta o mercado nacional com projetos nas áreas de branding e design. Inovação e persistência são palavras-chave para ele.

Confira a entrevista e entenda como a empresa, que já conquistou 15 prêmios internacionais, incluindo o IF Design Award, vê a evolução do mercado e dos profissionais da área.

 

 

O que essa uma década representa para vocês?

Representa a consolidação de uma ideia. Representa uma vitória contra tudo o que te faz pensar em desistir. E são muitas as coisas. Olhando para trás, dá uma felicidade (com aquele sorriso no canto da boca) de ter tomado a atitude de começar. 10 anos também significam persistência, uma grande capacidade de se reinventar sem perder a alma, o compromisso com fazer bom design e uma dose muito grande de teimosia. 10 anos também não significam nada se você não continuar olhando para frente. Se reinventar é imperativo.

 

 

Nesses 10 anos, mudou a forma que o mercado entende o design e o branding?

As nossas mães continuam sem entender muito bem o que a gente faz (risos). Mas o assunto se tornou mais presente e relevante. O mundo dos negócios não se cansa de falar em “design thinking”, mas quando se repete demais uma ideia ela acaba perdendo o sentido, se transformando em “outra coisa”. E acho que o design, como verbo, continua a ser incompreendido. Mas não culpo ninguém por isso, por sua natureza fluida, mutante, design é difícil de entender. Gosto de uma frase do Paul Rand que diz “Design é tão simples. Por isso é tão complicado”. Depois de 10 anos continuamos com a missão de explicar todos os dias o que é design.

 

 

E como vocês passaram a vê-lo nesses 10 anos?

O mercado mudou e continua mudando em uma velocidade, às vezes assustadora. A internet transformou os negócios e as marcas em “seres” sociais, conectados e transparentes. Há 10 anos anos o Facebook ainda não tinha “pegado” por aqui, não existia Instagram, WhatsApp. Não se ouvia falar sobre o conceito de startups, então não existiam o Uber, o Airbnb… o mundo era outro e a maneira de fazer negócios também.

Esse novo “jeito” mudou comportamentos e criou novas regras, ou melhor, destruiu as regras. Essas mudanças estão exigindo de todos nós um grande esforço e um grau de agilidade que não precisávamos em 2008. Estamos todos precisando nos reinventar. Em um piscar de olhos, todos nós já estaremos 10 anos atrasados.

 

 

A metodologia da Abracadabra mudou com o passar do tempo. Hoje, como ela funciona?

Metodologias não são fórmulas, são pegadas deixadas, trilhas. Todo dia a gente inventa coisas novas. Aprende coisas novas. As metodologias mudam, o que não muda é a nossa crença no poder transformador do design, de que bom design é uma boa estratégia aliada a uma boa criatividade. Nossos clientes nos reconhecem por nossos métodos de trabalho, pelas ferramentas criativas que utilizamos para extrair o máximo de suas marcas. Mas poucos deles sabem que algumas dessas ferramentas foram pensadas exclusivamente para os seus projetos. Bem, agora eles ficarão sabendo… (risos)

 

 

Quais foram as principais dificuldades enfrentadas quando a empresa foi aberta e quais são as dificuldades de hoje?

As burocracias continuam as mesmas, os impostos continuam sufocantes. O medo, esse sim diminuiu. Mas continua difícil para designers de formação gerenciar um negócio. Não é e nunca foi divertido fazer contas, calcular impostos… Gerenciar times também é um grande desafio. Hoje já sabemos um pouco mais sobre isso. Lidar com pessoas é sempre complexo. Sejam elas seus clientes ou sua equipe.

 

 

O que vocês aprenderam nesses 10 anos de Abracadabra?

Aprendemos que negócios são sobre pessoas. Não existe aquela máxima de que “são apenas negócios”. É tudo sobre gente. Sobre desenvolver a capacidade de escutar, sentir, se colocar no lugar do outro. Esse foi o principal aprendizado, as outras coisas que aprendemos eu vou contar em um outro artigo!!

 

 

Pode citar alguns momentos inesquecíveis?

Nosso primeiro prêmio nacional (na verdade dois), logo no segundo ano de empresa. Em um tempo pré-redes sociais, pouca gente ficou sabendo, mas a gente ficou muito feliz. Ver os primeiros projetos nas ruas, nas prateleiras das lojas… Continua sendo muito bom. Encontrar por aí pessoas que curtem o nosso trabalho nos faz feliz. O primeiro prêmio internacional (na Alemanha) parecia impensável, mas se multiplicaram. Quando nossos trabalhos começaram a romper as fronteiras da nossa cidade, entendemos que a gente podia ir mais longe. O reconhecimento dos clientes que acabam virando mais do que apenas clientes. Os 3 iF Design Awards (considerados uma espécie de Oscar do design mundial) que ganhamos nos deixou muito honrados. Alguns micro momentos também são inesquecíveis. São aqueles onde você tem a certeza que conseguiu chegar a uma solução quase mágica para um projeto. Esses momentos são bons demais!!

 

 

Quais são as expectativas para os próximos anos?

Nos reinventar. Encontrar um novo modelo ainda mais distante dos modelos das agências de comunicação tradicionais. As expectativas dos negócios dos próximos 10 anos são outras, precisamos nos adequar o mais rápido a isso. Mas sem perder a alma, é claro. Precisamos gerar mais valor para o nosso negócio, para os nossos clientes e para o mundo. Estamos cada vez mais preocupados em descobrir qual o papel do design para construir um mundo melhor para se viver. E queremos romper fronteiras, não dá mais para o nosso mundo ser do tamanho da nossa cidade.

 

 

Você poderia nos dar 3 dicas de livros?

Sim. São 3 livros que nos ajudaram a construir a essência da Abracadabra. Nos ajudaram a dar forma ao que somos hoje. O primeiro deles é “A arte da inovação” do Tom Kelley que li quando ainda era um designer recém formado. Ele me ajudou a reforçar o que eu acreditava sobre Design. “Reimagine” do Tom Peters tem uma linguagem super fácil e quando li, também no início de tudo, me abriu a mente para o mundo dos negócios de um jeito diferente. O terceiro é “O mundo codificado” do Vilém Flusser, para explodir a mente e nos fazer refletir sobre o nosso papel quanto designers.

Publicado em:

15 de outubro de 2018

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